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Por que grande parte dos brasileiros tem dificuldade em aprender o inglês? 

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Paul Seligson, autor de livros didáticos do idioma, aborda o problema e dá dicas para jovens e adultos aperfeiçoarem o aprendizado

Um dos idiomas mais falados em todo o mundo o inglês é a língua oficial em mais de 50 países e perde apenas para o mandarim que reina em primeiro lugar em número de falantes, por conta da alta densidade populacional da China. Por aqui, milhares de brasileiros mergulham no aprendizado do idioma e, ainda assim, nossa proficiência amarga baixas posições, de acordo com levantamento 2015 da EducationFirst em que o Brasil está em 41º num ranking de 70 países. Desde 2011, o estudo mostra que os brasileiros não evoluem nessa categoria.

 

Para Paul Seligson, professor britânico de inglês e autor de diversos livros para aprendizagem do idioma, a metodologia aplicada no Brasil desconsidera a bagagem do português, bem como as raízes linguísticas dos nossos alunos. “A dissociação da língua materna com o inglês faz sentido para quem é japonês ou árabe, mas não para aqueles que falam o português ou o espanhol”, pontua ao lembrar que mais de 50% do inglês vem do latim e que muitos sons de vogais e consoantes são comuns em ambos idiomas. “O mantra ‘Think in English’ obriga o aluno a pensar separadamente uma coisa da outra ao invés de buscar o que ambas tem em comum. Isso faz sentido se considerarmos que mais de 1/3 das 3.000 palavras mais comuns em inglês são cognatos em português?”.

 

Seligson acredita que essa pretensa imersão pode explicar parte do desengajamento do aluno brasileiro, uma vez que ele é estimulado a basear o seu aprendizado em um idioma que ainda não domina: “Em um primeiro momento muitas coisas não farão sentido e o progresso vai ser mais lento. É exatamente essa experiência que o aluno não deve vivenciar”. Diante desse cenário, Paul afirma que as associações entre as línguas, como a simples tradução mental de uma frase ou o entendimento da gramática inglesa em português, podem sim auxiliar os brasileiros. Defende ainda que se façam observações de padrões entre os idiomas como, por exemplo, palavras terminadas em “dade”, no português, são aquelas que, em sua maioria, terminam em “ty” no inglês: city, opportunity, quality. Com os adjetivos, a relação entre as palavras terminadas em “ic” geralmente são aquelas que, em português, são finalizadas com ico/ica: basic, electric, specific. A audição, segundo o britânico, também é fundamental para o processo: “Passamos 45% de nossas vidas ouvindo, 30% falando, 16% lendo e somente 9% escrevendo. Por isso sempre aconselho meus alunos: escute, pronuncie, fale e soletre, pois o inglês entra mais fácil pelos ouvidos”. 
Seguindo a mesma concepção metodológica, a coleção English iD, também de Paul Seligson vai do básico ao intermediário, e, foca no aproveitamento dos conhecimentos da língua portuguesa para o aprendizado de inglês. ID, abreviação de identidade em inglês, nomeia a coleção justamente por sua proposta inovadora: encorajar o estudante a se expressar e construir uma nova identidade na língua. Dividida em diferentes níveis de dificuldade, trabalha ainda com materiais audiovisuais, como livro digital, CD e DVD e outros recursos.Ciente dessas especificidades do aluno brasileiro, Paul Seligson está lançando uma coleção de livros chamada iDentities. Elaborada em parceria com Luiz Otávio Barros e publicada pela Richmond, selo editorial do idioma inglês do Grupo Santillana, a série oferece uma metodologia diferenciada que privilegia exatamente os conhecimentos gramaticas e lexicais dos brasileiros para o aprendizado da língua. Voltada aos jovens e adultos que estão nos níveis intermediário e avançado, as obras da coleção iDentities ressaltam a similaridade entre os idiomas, seja nas estruturas gramaticais, nos sons ou no campo lexical, entre outros pontos, além de trabalhar diretamente o desenvolvimento de habilidades em comunicação  oral e escrita, pronúncia e audição, para que o aluno tenha uma formação precisa e clara na língua inglesa. O desenvolvimento dessas competências é amparado pelos materiais do Richmond Learning Plataform – ambiente online que oferece vídeos, atividades extras e testes entre outras ferramentas de aprendizagem. A coleção vai do intermediário ao avançado.